A urgência da Cultura de Paz na construção de novos paradigmas

Egberto Penido, Vera Salles e Hamilton Faria durante o Diálogo

Egberto Penido, Vera Salles e Hamilton Faria durante o Diálogo

A compreensão de que a Cultura de Paz é uma necessidade na construção de novos modelos civilizatórios se fortalece a cada dia. Sem uma mudança de comportamentos será impossível criar uma nova sociedade baseada em valores como solidariedade e respeito ao outro. Mais uma etapa desta discussão aconteceu no Diálogos do Nosso Tempo – Construir uma Cultura de Paz: Urgências e Desafios. A atividade, realizada em 14 de outubro, foi organizada em parceria entre o Pontão de Convivência e Cultura de Paz e a Escola da Cidadania do Instituto Pólis e o Centro Cultural da Espanha em São Paulo.

A professora da Universidade Federal do Maranhão, Vera Salles, participou do debate ao compartilhar uma pesquisa realizada por ela com jovens de 15 a 24 anos de um bairro da periferia de São Luis, capital maranhense. O objetivo da investigação era verificar como a programação da TV aberta (maior fonte de informação entre eles) age na construção de seus imaginários de violência e paz. Segundo Salles, as imagens de paz raramente aparecem na TV, que prefere mostrar situações de violência que assumem um caráter ficcional. “Essas visões parciais reforçam os estereótipos. A televisão tem um forte poder para construir e manipular imaginários sociais. A juventude é quase sempre associada a desvios e problemas, por exemplo. Por isso, acredito que cultura de paz pode ajudar a vê-los como eles são de verdade e não como achamos que eles são”, afirma Vera, que acredita que a TV pode ter uma função educativa nesse processo, mas que a cobrança por esta mudança deve partir da sociedade civil organizada.

Egberto Penido, juiz especialista em Justiça Restaurativa também foi um dos palestrantes da atividade e defendeu que a cultura de paz deve começar em cada um. E isso está diretamente ligado ao olhar a realidade com outros olhos, sob uma nova perspectiva. Para ele, a violência é sempre colocada como inevitável e com relação ao modelo judicial não é diferente. “O atual modelo judicial é repressivo. Não se produz justiça como valor, mas apenas como punição. Ela não se presta à transformação social e isso precisa ser mudado”, defende Penido que afirmou ainda que a Justiça Restaurativa é o braço da Cultura de Paz na Justiça.

Em tempo: a Justiça Restaurativa é um processo colaborativo e de diálogo no qual as partes afetadas discutem qual deve ser a melhor forma de reparar o dano causado por um determinado crime. O juiz Egberto desenvolve projetos em escolas com jovens que estão baseados em três eixos: a capacitação de conflitos, a facilitação de mudanças educacionais e a aglutinação e articulação com a comunidade.

Por Cristiane Gomes


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