Por Alexandre Sammogini
O Coco de Umbigada tem uma energia e uma frequência que não se explicam. Vem de tempos ancestrais e espaços sagrados. Até quem não tem familiaridade com ritmos de matriz afro, se contagia e se deixa levar pela percussão dos ganzás e do zabumba. As mestras e mestres do Coco, na maioria senhores e senhoras, colocam suas vozes e letras nas canções que logo envolvem a todos. As crianças e os jovens também participam ativamente, fazendo a abertura da festa mensal, que acontece todo primeiro sábado de cada mês e toma as ruas da comunidade, em Olinda (PE). É uma força transformadora, que resgata a auto-estima de uma comunidade, como bem diz Beth de Oxum, gestora do Centro Cultural Coco de Umbigada.
A comunidade é o Guadalupe, localizada no coração de Olinda. A energia vital e criativa do coco é tão forte que parece incomodar as forças repressoras. Um morador, que é policial, realizou um atentado a tiros no final de 2008. Um par de meses depois, voltou com cerca de 40 policiais que apreenderam os instrumentos do grupo.
O que era uma violência individual, se tornou um abuso de autoridade institucional. Mas o coco resistiu, comandado por Beth de Oxum, guerreira da não violência. Ela pegou o microfone e confrontou o autoritarismo, com palabras de ordem. As crianças do coco de umbigadinha fizeram coro: “queremos coco, queremos coco”. Nos dias seguintes, uma mensagem percorreu os espaços virtuais e acionou as redes dos Pontos de Cultura de todo o país. Começaram a chegar mensagens de apoio de vários estados.
Até a Marcha Mundial pela Paz e Não Violência acionou as redes internacionais e chegaram mensagens de apoio de diversos países. Faltava buscar apoio institucional e aí foram contatadas as secretarias municipais de cultura de Olinda e do estado de Penambuco, além do Ministério da Cultura. E lá estavam representantes de algumas esferas do poder público na festa mensal do Coco de Umbigada, que aconteceu no mês de abril. Nós do Pontão de Convivência e Cultura de Paz também estávamos lá, para demonstrar nosso apoio e para realizar dois dias depois a nossa Roda de Diálogo (veja em breve o relato da atividade no site).
Por coincidência, no dia de nossa roda, Beth recorreu ao Ministério Público, onde fez uma denúncia contra o autoritarismo policial. Sem dúvida é um exemplo vivo, ou melhor, uma ação exemplar da aplicação da Cultura de Paz e de Não Violência, na esperança que a manifestação ancestral do Coco possa continuar ocupando não apenas os espaços sagrados, mas também os espaços públicos. Lembrei da letra de Chico Science: “em cada morro uma história diferente e a polícia mata gente inocente”. Se tivermos mais Beths e mais Cocos espalhados pelo Brasil, já não se continuará matando por muito tempo.
Um Comentário
eu sou do coco de umbigadinha
achei essa materia uma beleza
provavelmente està tudo que aconteceu ai!!!!!
ACHEI OTIMO!
One Trackback
[...] O Coco de Umbigada tem uma energia e uma frequência que não se explicam. Vem de tempos ancestrais e espaços sagrados. Até quem não tem familiaridade com ritmos de matriz afro, se contagia e se deixa levar pela percussão dos ganzás e da zabumba. As mestras e mestres do Coco, na maioria senhores e senhoras, colocam suas vozes e letras nas canções que logo envolvem a todos. As crianças e os jovens também participam ativamente, fazendo a abertura da festa mensal, que acontece todo primeiro sábado de cada mês e toma as ruas da comunidade, em Olinda (PE). É uma força transformadora, que resgata a auto-estima de uma comunidade, como bem diz Beth de Oxum, gestora do Centro Cultural Coco de Umbigada. Saiba mais. [...]