Edgard de Assis Carvalho fala da necessidade de novos paradigmas na construção de uma nova sociedade

A lineariedade do pensamento científico e o predomínio de uma visão antropocêntrica são modelos que ainda persistem na sociedade atual. No entanto, para construir uma nova sociedade baseada em valores como sustentabilidade, solidariedade e compromisso social é preciso que sejam criados novos paradigmas, uma nova ética planetária. Este foi o fio condutor de mais uma sessão do Diálogos do Nosso Tempo: Cultura e sustentabilidade – paradigmas de uma ética planetária, que contou com a presença do antropólogo Edgard de Assis Carvalho. A atividade aconteceu em 10 de novembro no Instituto Pólis.

Professor titular de Antropologia da PUC-SP, coordenador atual do COMPLEXUS – Núcleo de Estudos da Complexidade da mesma universidade, Edgard defendeu a necessidade de rompimento com o antropocentrismo vigente atualmente, que coloca o homem em grau de superioridade a outras espécies dando margem aos constantes maus-tratos aos animais e à natureza como um todo. Além disso, defendeu também a integração, ou seja, a religação, dos diversos saberes produzidos pela humanidade. “Somos 100% cultura e 100% natureza”, afirmou.

Outro ponto tocado pelo pesquisador foi a incorporação das linguagens artísticas por parte da ciência. A arte, contribui para uma visão sensível da realidade, algo que não se alcança pelo esforço racional. “Nessa separação entre arte e ciência, quem sai perdendo é o conhecimento científico”.

Para Edgard, os valores contidos neste novo paradigma já estão circulando há tempos na sociedade e vêm ganhando cada vez mais espaço. Porém, o processo de mudança é lento e gradual, já que a sociedade e suas instituições tendem sempre a reproduzir o modelo vigente. “As novas idéias não surgem nos espaços institucionais, mas sim, nos chamados grupos marginais”, acredita.


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