Em entrevista, Hamilton Faria reflete sobre a ação do Pontão na TEIA 2008

Um outro protagonismo cultural está sendo gerado no Brasil. Um país onde a diversidade e a interculturalidade são características fundamentais. Essa é a impressão que o poeta e coordenador geral do Pontão da Convivência e Cultura de Paz, Hamilton Faria, teve ao participar das atividades da TEIA 2008, que aconteceu em novembro em Brasília. “A TEIA é um acontecimento da cultura brasileira. O maior fórum cultural do país, superando, do ponto de vista cultural, o Fórum Social Mundial, o Fórum Cultural Mundial e outros encontros do gênero mais localizados. A diversidade que a TEIA apresenta nos dá a esperança de um outro país”.
Hamilton, juntamente com outras representantes da equipe do Pontão, participou da atividade que reuniu os 850 Pontos de Cultura do país.
Em entrevista o poeta conta mais sobre a atuação do Pontão na atividade e fala como o tema da cultura de paz vem ganhando cada vez mais destaque. “Pensamos muitas vezes a democracia, os direitos humanos e a vida civil em um cenário onde a violência se apresenta como uma alternativa para a realização social, desde que justa. Quem dá o critério da justeza? Como podemos pensar as mesmas transformações com paz? É necessário construir teorias políticas a partir de outros paradigmas”.

Nesta caminhada que o Pontão começou a trilhar este ano, qual a importância da participação nas atividades da TEIA 2008?
Hamiton Faria
-A TEIA é um acontecimento da cultura brasileira. O maior fórum cultural do país superando, do ponto de vista cultural, o Fórum Social Mundial, o Fórum Cultural Mundial e outros encontros do gênero mais localizados. A diversidade que a TEIA apresenta nos dá a esperança de um outro país, de outro protagonismo cultural sendo gerado para um Brasil verdadeiramente intercultural.
Nós do Pontão de Convivência e Cultura de Paz do Instituto Pólis participamos de várias atividades: da mesa sobre educação, cultura e direitos humanos. Lançamos a campanha Conte sua História de Paz, em parceria com o Museu da Pessoa. É fundamental que criemos uma epopéia da paz, com histórias que fortaleçam a mudança em nosso imaginário, inspirando ambientações poéticas e cenários de transformação. Participamos também da organização da proposta de Cultura de Paz para a TEIA (caminhada, grupos de trabalho, vivências). Foi uma grande conquista a inclusão do tema na TEIA e colaboramos para isso juntamente com outras organizações e pessoas. As propostas do Grupo de Trabalho de Cultura de Paz também contribuíram para o desenvolvimento do tema e das ações, como a criação de uma rede permanente de cultura de paz dos pontos de cultura. Iremos trabalhar em 2009 para o fortalecimento desta rede. Apresentamos na plenária o conjunto das ações do Pontão e esclarecemos que estamos construindo a relação entre cultura de paz e cidadania cultural fator vital para o desenvolvimento humano. Também falamos da artemetodologia das Rodas de Convivência e Cultura de Paz que estamos criando para ouvir os jovens dos Pontos de Cultura. Estas atividades, que já aconteceram em diversas partes do país, já apontam propostas e diretrizes para a convivência e a cultura de paz. Nesta mesa apresentamos as outras atividades do pontão como as sessões de diálogo e o site na internet.

Em que medida as ações desenvolvidas pelo Pontão nestes meses conseguiram pautar o tema da Cultura de Paz junto aos outros pontos presentes na TEIA? O tema vem ganhando espaço?
Hamilton Faria
- Como expliquei acima, o tema vem ganhando espaço. Uma participante de Ponto de Cultura de Guarulhos disse que está fascinada com a forma que tratamos a questão da Cultura de Paz. Segundo ela, uma forma bastante diferenciada do que se apresenta na sociedade. Não creio que seja melhor
ou pior, o fato é que temos um viés cultural que liga as coisas, ultrapassando o plano dos valores. Temos tido muitos retornos e propostas de trabalhos comuns. Creio que a TEIA já está convencida da importância do tema, seguimos agora com nosso trabalho junto aos Pontos de Cultura. É importante refletir que o nosso imaginário é de guerra e resistência, o que absolve a violência na história. Pensamos muitas vezes a democracia, os direitos humanos e a vida civil em um cenário onde a violência se apresenta como uma alternativa para a realização social, desde que justa. Quem dá
o critério da justeza? Como podemos pensar as mesmas transformações com paz? É necessário construir teorias políticas a partir de outros paradigmas. E nisso a paz é fundamental para contextualizar mudanças; e a cultura é o campo da convivência. Eu terminei uma de minhas falas na TEIA dizendo que os Pontos de Cultura deveriam escrever na frente da sua sede: “Aqui se faz Cultura de Paz”. Isso é verdadeiro porque os Pontos de Cultura estão realizando ações pacificadoras no terrítório, promovendo a diversidade, o equilíbrio de gênero, o protagonismo, a reinvenção da solidariedade. Tudo isso por meio do diálogo. Os pontos de cultura de Diadema, por exemplo, estão promovendo diálogo intercultural entre experiências espirituais e religiosas.

O Pontão integra agora a Comissão Nacional dos Pontos de Cultura. O que isso significa?
Hamilton Faria -
A indicação do Pontão para a Comissão Nacional significa o reconhecimento de nosso trabalho. Estaremos lá tematizando, fortalecendo redes, aproximando experiências. Temos muito trabalho pela frente.

Quais são agora as perspectivas e desafios do Pontão pós TEIA, ou seja, depois deste momento de encontro e de compartilhar experiências?
Hamilton Faria -
Os desafios são: contribuir para a criação de uma rede de cultura de paz, virtual e presencial; sistematizar nossas experiências das Rodas de Convivência e Cultura de Paz; preparar-se para a continuidade do convênio; desenvolver parcerias sólidas com entidades da sociedade civil em torno da cultura de paz, como estamos fazendo com o SESC e a Secretaria de Justiça, na comemoração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e com o Centro de Cultura da Espanha em nossas sessões de diálogo; nos aproximarmo ainda mais de redes locais, nacionais e internacionais de cultura de paz, lançarmos as bases de politicas públicas de cultura de paz entre jovens e a realização de uma pesquisa qualitativa e quantitativa nos pontos de cultura. Aqui teremos uma parceria com o IPSO.


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  1. [...] Um outro protagonismo cultural está sendo gerado no Brasil. Um país onde a diversidade e a interculturalidade são características fundamentais. Essa é a impressão que o poeta e coordenador geral do Pontão da Convivência e Cultura de Paz, Hamilton Faria, teve ao participar das atividades da TEIA 2008, que aconteceu em novembro em Brasília. “A TEIA é um acontecimento da cultura brasileira. O maior fórum cultural do país, superando, do ponto de vista cultural, o Fórum Social Mundial, o Fórum Cultural Mundial e outros encontros do gênero mais localizados. A diversidade que a TEIA apresenta nos dá a esperança de um outro país”. Hamilton, juntamente com outras representantes da equipe do Pontão, participou da atividade que reuniu os 850 Pontos de Cultura do país. Saiba mais. [...]

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