Pontão participa de Seminário sobre diversidade cultural organizada pelo SESC SP

O encontro das diferenças que somam valor e agregam vivências, conhecimentos, descobertas, modos de vida costumes, estabelece parcerias, ideias e produções humanas que resultam da cultura. Cultura essa concebida e adquirida, partilhada e resignificada através dos tempos. Estas foram as principais características do Seminário Identidade e Diversidade Cultural: Para Uma Cultura da Convivência do Diverso, que aconteceu de 19 a 21 de maio, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. O coordenador da área de desenvolvimento cultural e do Pontão da Convivência e Cultura de Paz do Pólis, Hamilton Faria, participou de uma das mesas com o tema Para uma Cultura de Convivência do Diverso:modos de vida, linguagens da diferença e cultura de paz.

Indígenas, quilombolas, migrantes, refugiados, ciganos, homossexuais, latino-americanos
fazem-se presentes como atores políticos e sociais a partir das diferenças de gênero, culturais e étnicas. O campo da cultura torna-se instrumento de definição de políticas de inclusão social, de promoção do respeito e de uma cultura da paz.

O seminário apontou que é preciso, como afirmou Gilberto Gil em sua fala de abertura da atividade, contrapor a lógica do consumismo pela do ‘prossumidor’, ou seja, aquele que consome enquanto produz e produz enquanto cria. A democratização da informação, a acessibilidade e incentivo a cultura digital, conformando novas mobilidades e energias críticas e uso pleno da internet e softwares livres também foram colocados como importantes no processo de consolidar a cultura do diverso.

O professor e antropólogo Eduardo Viveiros fez uma exposição trazendo imagens e signos, como o manifesto Antropófago de Oswald de Andrade (1890 – 1954), publicado em maio de 1928, e que menciona que a palavra respeito tem sua raiz na palavra relação. “É preciso observarmos a arte das distâncias que impomos em nosso cotidiano e relações: é fácil amar aquele que chamo de próximo, difícil é amar o distante, o outro distante de mim”, afirmou. Ele também chamou a atenção de que, no Brasil, se vive um estado permanente de multiplicação. “Temos muitas diferenças, mas estamos longe de sermos um país muito diverso – dissenso e diversidade – sofremos uma obra de violenta homogeneização cultural constituinte da nossa história”.

O Relatório de Desenvolvimento Humano afirma que “a liberdade de escolher uma diversidade cultural e de exercê-la sem discriminações é comparada em importância à democracia e à oportunidade econômica”. Para Hamilton Faria, coordenador da área de desenvolvimento cultural e do Pontão Temático de Convivência e Cultura de Paz, a compreensão disso é fundamental para os trabalhos realizados no Pólis. Presente no evento no Sesc em uma mesa que tratou sobre Cultura de Paz e Reencantamento do Mundo, Hamilton defende que não há mudança substantiva se não houver compreensão da importância da cultura para o desenvolvimento humano. “É necessário fortalecer a diversidade cultural nas cidades, nos territórios, levando-se em conta os movimentos e atores sociais e culturais, a autonomia dos grupos, as redes de cultura e convivência. O Pólis compreende que a diversidade é vital para a mudança dos paradigmas de cidade. Os seus trabalhos de mapeamento sociocultural, cartovideografia das dinâmicas jovens e o Cineclube Polis, bem como todo o trabalho do Pontão de Convivência e Cultura de Paz consideram a diversidade cultural como um paradigma relevante para o desenvolvimento de uma cidade culturalmente sustentável. A questão central é como reconhecer a potencialidade dessas dinâmicas culturais e transformar a diversidade em cidade”, aponta Hamilton.


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