Os coletivos que produzem audiovisual na periferia de São Paulo crescem e se articulam cada vez mais. A I Semana do Vídeo Popular, que aconteceu de 28 a 30 de novembro na capital paulista, é a prova concreta desta afirmação. Durante o evento aconteceu mostras de filmes recentes e debates. Além disso, a Feira do Rolo propiciou que os coletivos pudessem se conhecer e, através do escambo, trocar suas produções.
Estes grupos surgiram de maneira espontânea, como um fazer cultural de jovens que se apropriaram das tecnologias necessárias para a produção audiovisual. O Fórum de Cinema Comunitário, criado em 2005, foi um espaço de diálogo para os grupos. O que os motiva é produzir identidade e subjetividade, combatendo o estereótipo construído pela mídia que mostra a juventude da periferia sempre de maneira criminalizada. “Em uma sociedade onde a mídia tem cada vez mais espaço, a produção destes grupos adquire uma importância muito grande, porque a partir de suas ações se pauta a necessidade de pensar em políticas públicas e reivindicá-las”, afirma Luis Eduardo Tavares, coordenador do Cineclube Pólis que colaborou na organização do evento.
As políticas públicas para a área de áudio-visual foi um dos temas dos debates realizados na semana do Vídeo Popular. Nabil Bonduki, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e coordenador da Casa da Cidade; e Altair Moreira, colaborador do Instituto Pólis destacaram a urgência de se exigir políticas públicas, principalmente do município, para a ação destes grupos.
Outro assunto discutido foi o histórico do video popular. Luiz Fernando Santoro, referência do vídeo popular nos anos 80 relembrou que durante este período os responsáveis por esta produção eram de classe média, universitários que mostravam as lutas sociais e os movimentos sociais que estavam surgindo no país depois de um longo período de ditadura militar. Hoje, os grupos que fazem vídeos populares são das periferias, que com o apoio de organizações e entidades, se apropriam desta técnica e fazem do direito de se produzir cultura um ato político, mesmo que o conteúdo das obras não tenham uma posição ideológica clara.
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[...] “Em uma sociedade onde a mídia tem cada vez mais espaço, a produção destes grupos adquire uma importância muito grande, porque a partir de suas ações se pauta a necessidade de pensar em políticas públicas e reivindicá-las”, afirma Luis Eduardo Tavares, coordenador do Cineclube Pólis que colaborou na organização do evento. Saiba mais. [...]