Em tempos onde a violência e intolerância ocupam cada vez mais espaço na vida das pessoas, os ensinamentos, valores e ações de Mahatma Gandhi se tornam ainda mais necessários e urgentes. Para relembrar os 139 anos de nascimento deste grande pacifista, em 2 de outubro, o Pontão Temático de Convivência e Cultura de Paz do Instituto Pólis promoveu a sessão de diálogo Uma noite com Gandhi. O integrante do conselho deliberativo da Fundação Palas Athena, João Morris, abordou alguns aspectos e fatos de sua vida. Para isso, João utilizou algumas cenas do filme Gandhi de Richard Attenborough, de 1982 e que ganhou o Oscar de filme, diretor e ator para Ben Kingsley em uma caracterização impressionante do indiano.
A política da desobediência civil, amparada nos princípios da não violência foi a principal estratégia usada por Gandhi e disseminada por toda a Índia para libertar o país da colonização britânica. “Devemos envergonhar a quem nos escraviza”, dizia ele. No entanto, mais do que idolatrar apenas o homem ou a figura, é preciso resgatar e praticar suas idéias, que são eternas.
O indiano afirmava que era preciso ter coragem para suportar o ódio dos britânicos e que ele poderia morrer, mas que nunca os dominadores teriam a sua obediência. “Seremos golpeados e resistiremos para que os britânicos percebam a injustiça”, dizia ele. As cenas do filme mostradas comprovam a firmeza de princípios e a coerência de Gandhi. “É difícil entendermos seus valores e práticas, ainda mais nessa sociedade bélica em que vivemos”, afirmou João Morris.
Para conseguir que o povo do segundo país mais populoso do mundo, seguisse suas idéias, por muitos anos, Gandhi viajou por toda a Índia para difundir suas idéias e princípios e também para conhecer o povo indiano.
Fatos como o massacre de Amristar, onde os britânicos atiraram contra 15 mil pessoas, matando cerca de 400, e a marcha do sal, que percorreu 400 km em um mês, foram usadas por João Morris, como exemplo das ações de Gandhi, que usava a força da simbologia e do gesto à favor da libertação da população indiana. Entre as estratégias: o boicote às leis; a não cooperação com leis arbitrárias; a intervenção com disciplina; a organização sistemática de grupos de resistência não-violenta.
Sobre a figura de Gandhi, Albert Einstein chegou a dizer que as gerações futuras não iriam acreditar que haveria existido um homem assim. Realmente, é difícil acreditar, em um momento da humanidade marcado por bombas, ataques terroristas e chacinas que possa ter idéias como as de Gandhi. Mas elas existiram e continuam vivas. Cabe a cada pessoa ter a coragem para colocá-las em prática e construir novas possibilidades de convivência.

2 Comentários
Antes queremos cumprimentar a nobre iniciativa deste site, bem como a finalidade nele embutida. Parabéns e sucesso!
Quanto à Gandhi, não existe exemplo mais pertinente a ser citado neste site, como abertura, de uma vida dedicada aos verdadeiros valores humanos. Uma vida ética e prenhe de patriotismo, despojamento e valores maiores.
Parabéns.
Arq. MSc. Amélia
Adorei o artigo e estou doida para ver sobre a roda de Belém.
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