Ancestralidade e musicalidade marcam Roda de Convivência na Casa de Cultura Tainã
A musicalidade e a ancestralidade marcaram a terceira Roda de Convivência e Cultura de Paz que aconteceu na Casa de Cultura Tainã, em 4 de outubro. Localizada na cidade de Campinas, interior de São Paulo, o Ponto de Cultura é uma entidade cultural e social que pretende possibilitar o acesso à informação, de forma a fortalecer a prática da cidadania, contribuindo para a formação de indivíduos conscientes e atuantes na comunidade. A valorização da cultura popular é uma característica forte na Casa de Cultura Tainã (palavra indígena que significa caminho das estrelas). Atualmente a Casa trabalha com diversos projetos sócio-culturais, dentre eles: Nação Tainá-Maracatu de Baque Virado e Cultura Popular; Fábrica de Música, estudo, gravação e produção musical; Projeto Tambor Menino, música, dança e produção de artesanato; Projeto Tambores de Aço – Formação de orquestra de Steel Drums; Tambores da Saúde, prevenção contra DST-Aids, entre outros.
A Roda contou com a participação de 13 jovens. Em seu centro, o já presente caderno criativo em que são registradas as sensações, idéias e emoções da atividade. No entanto, o que já se destacava no cenário era mesmo a orquestra de tambores de aço. Depois das apresentações dos jovens, da equipe e dos objetivos do Pontão, teve início o aquecimento da atividade com a música Tocando em Frente, composição de Almir Satter. Duas frases da música permearam todo o encontro: “É preciso paz para poder sorrir” e “Cada um de nós compõe a sua história”. A apresentação dos integrantes já anunciava a importância que a musicalidade teria nesta conversa. Espontaneidade e criatividade marcaram a apresentação dos jovens que, logo após, começaram a refletir sobre os conceitos de Cultura de Paz e Convivência. Comunidade, solidariedade, diversidade cultural, justiça social foram alguns dos valores que surgiram.
Chega o momento de escolher o objeto símbolo da roda. Cada um deveria dar sua sugestão e depois o grupo deveria dialogar e chegar à um consenso nesta escolha. Diversos objetos surgiram como livros, camisetas, colares. Mas um se destacou entre todos: os tambores de aço que simbolizam, além da música, a ancestralidade e a negritude. “Tambor é conhecimento”, disseram alguns jovens em coro que, na sequência começaram a tocá-los. Quem não os tocava, acompanhava o ritmo, fazendo percussão corporal, cantarolando, mas sempre atuando em coletivo.
Logo após, as oficineiras apresentaram uma questão aos jovens: Que relação é possível fazer com este objeto na construção da história de cada um de maneira a contribuir para a cultura de paz? “O tambor traz unidade como o que aconteceu aqui (referindo-se ao momento musical) as pessoas nunca tinham tocado antes e se uniram para tocar. O nós estão se conectando, criando uma rede para expandir. Devemos ter uma rede para discutir nossos problemas procurando novas soluções práticas, para não ficarmos só no discurso”, disse Robson Sampaio.
A relação entre o objeto escolhido e a cultura de paz também é tema de conversa entre os jovens. Para Vanessa Dias, o tambor contribui para a cultura de paz desde muito tempo. “Veja o samba de bumbo… Os negros saiam do trabalho e faziam samba. O jongo (manifestação cultural criada pelos negros escravizados nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo) tem muito da batida do coração, movimenta o passo. Os negros apesar da condição que viviam, iam bater tambor, porque aquilo movimentava. A elite influência nas políticas públicas e é ela que muda. Como romper com isso? Isso nos deixa mal. Eu falava que a revolução deveria se armada, mas temos que tentar outras possibilidades”, finaliza.
A Roda vai se aproximando de seu final e os jovens desenham a palavra Tainã no caderno criativo, afirmando que a Casa de Cultura e seu trabalho significa Cultura de Paz. A tarde termina com um jongo composto por Flávio e puxado por Vanessa
“Trabalhei, suei, sangrei. / Do cativeiro e das correntes / com fé eu me libertei. / Corri na mata pé descalço, / estrela guia. / Vou encontrar Palmares, / ver nascer um novo dia”







2 Comentários
Olá Pessoal.
Parabéns pelo trabalho.
Sou também um um apaixonado por cultura.
Um Arte Educador, tenho projetos na área.
Grande Abraço
Tel.: 11 9315.1983
http://blogspot.com/ailtonrios
olá pessoal! estive com vocÊs em 2007 no festisesi em Brasília. Sou do Coco do Amaro Branco – pe. Adorei o trabalho de vocÊs, espero encontrar vcs logo, logo. Bjs Mirela.
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