CEDECA Pé na Taba – Manaus (AM)

A Roda em Manaus teve a participação massiva das crianças

A Roda em Manaus teve a participação massiva das crianças

Marcando quase o fim de sua primeira fase de trabalho, o Pontão chegou ao coração da Amazônia: a bela cidade de Manaus, as margens do Rio Negro, para promover mais uma Roda de Convivência e Cultura de Paz. A atividade aconteceu em 8 de abril no Cedeca (Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente) Pé na Taba.

O Cedeca Pé na Taba é uma associação não governamental, qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Fundado em julho de 2003, sua criação surgiu da iniciativa de pessoas e profissionais de diferentes áreas do conhecimento, comprometidas com a defesa dos direitos humanos de crianças e adolescentes. O Pé na Taba trabalha temas como o combate a violência sexual de crianças e adolescentes; violência policial; capacitação de conselhos tutelares e de direitos; acompanhamento de medidas socioeducativas para adolescentes infratores; combate a exploração de trabalho infantil; luta contra a impunidade em homicídios; monitoramento do orçamento público, para as áreas da infância e adolescência. Para isso, usa como estratégia o atendimento direto aos adolescentes e jovens, por meio de ações pedagógicas, psicosociais e socioculturais, que possibilitem sua inclusão e emancipação humana. As ações desenvolvidas privilegiam as artes cênicas, visuais, dança, inclusão digital, priorizando a capacitação e qualificação profissional, o desenvolvimento e aprimoramento de habilidades artísticas.

O nome Pé na Taba faz uma reflexão sobre a história e origem do brasileiro. Se refere à presença indígena, característica principal da região amazônica. A taba é a moradia dos povos da floresta, a casa que dá proteção aos indígenas. “Pé na Taba quer dizer vamos à luta, vamos correr. É um trocadilho com pé na tábua mas, ao invés de tábua, trocamos por taba, que significa moradia”, contou Lucimar Weil, assistente social, pedagoga e coordenadora do Ponto de Cultura Pé na Taba, que disse ainda que o trabalho desenvolvido no Cedeca Pé na Taba, leva a Cultura de Paz em sua essência. “Desde quando apresentamos o projeto para o Minc, o objetivo era justamente colocar a Cultura de Paz no combate à violência, porque já tínhamos um trabalho anterior que era o Galera Nota 10, um projeto que envolvia atividades com jovens durante todo o dia. Começamos esse trabalho que depois foi assumido pelo governo. Nossa intenção é provocar o poder público para que assuma seu papel. Estamos desenvolvendo políticas de assistência social e de Direitos Humanos que caminham passo a passo com a Cultura de Paz, do desenvolvimento sustentável e do respeito à preservação do meio ambiente”.

Diferentemente das outras rodas realizadas em diversos lugares do país, esta contou com a participação essencial de crianças de 9 a 12 anos que atuam no Cedeca. Essa novidade causou surpresa aos oficineiros Alexandre Sammogini e Martha Lemos e fez com que eles adaptassem os conteúdos, assim como a linguagem e a forma de se comunicar. Uma experiência extremamente rica.

No momento de construir o Mapa da Convivência e da Cultura de Paz, as crianças foram orientadas a pensar nas coisas boas e ruins da vida na comunidade em que moram. As brincadeiras no espaço público, como soltar papagaio, jogar bola, vôlei, queimada e a convivência com amigos na escola, foram colocadas como boas. Já as brigas que acontecem nesses mesmos espaços, tidos como fatos ruins pelas crianças.

Na seqüência, a oficineira Martha Lemos pediu aos participantes que se dividissem em cinco subgrupos. Enquanto isso, Alexandre Sammogini e a equipe do Pé na Taba distribuíram folhas de flip chart no palco do auditório, cartelas coloridas, canetões, giz de cera, pincéis, lápis de cor, fitas isolantes e colas que seriam usadas na construção dos painéis.

“O ambiente foi tomado por uma produção caótica-criativa, por um lado, mas rica em significados, iniciativas e participação grupal por outro. As crianças se envolveram, trocaram experiências e compreensões, pedindo ajuda quando necessário. Ao percorrermos os grupos, percebemos uma quantidade de ideias, sensações e percepções sobre o tema que compreende o universo infantil das relações de aprendizagem socioafetivas e familiares”, disse Martha sobre a experiência.

O grupo 1 criou coletivamente um painel com o tema alegria e amor. Juntos iniciaram sua apresentação em coro repetindo o tema e identificando alguns aspectos do que reconhecem no mundo. O grupo optou por criar o painel com dobraduras e a distribuição de desenhos e frases no painel foi espetacular e o entrosamento, evidente. O segundo grupo deu indicações de espaços de lazer, convivência e escola, se referindo à natureza e à importância do contato com ervas medicinais e plantas da floresta. Já o grupo 3 apresentou um painel com campos de futebol, espaços de lazer e diversas frases em nome da paz entre os povos e na floresta. Se referiram também a violência entre os próprios colegas de escola. “Acreditamos num mundo de muita paz e alegria, muita paz e sem violência. É isso que é uma vida de paz e convivência para a educação. E também na escola e na família”, escreveram. O grupo 4 contou uma história através de cartelas coloridas e com motivos diversos: um pássaro grande com asas abertas, intitulado Pomba Branca; uma igreja e um homem diante dela, vários corações grandes e rubros, natureza e convivência, baile de máscaras manauara, um casal de mãos dadas. A frase que resume a ideia foi: ‘Todos esses desenhos representam a nossa paz!’

Os painéis e as histórias de paz neles contidas apresentaram elementos do senso comum e primário da paz como a harmonia, a alegria, a amizade e o amor. Contudo, olhando mais atentamente para a composição final, foi possível identificar um fio condutor para o pensamento infantil presente naquele grupo. Um pedido, uma proclamação: que as pessoas parem de falar sobre a paz e a vivam em sua integridade.

Como propostas de políticas públicas, as crianças colocaram: criar e manter espaços públicos de apropriação da cultura local; promover ações articuladas entre parceiros, como pontos de cultura, ongs, poder público, secretarias intersetoriais do governo, grupos comunitários e culturais; militância para a inclusão social de crianças, adolescentes e jovens através de oficinas socioculturais, pedagógicas, de informação e prevenção; participar em fóruns de direitos humanos, diversidade cultural, meio ambiente, educação e cultura, audiências públicas, articulação com a ANCED (Associação nacional dos Centros de Defesa) e conselhos de direitos municipais.

Como objeto símbolo, o grupo optou pela criação grupal dos painéis, que conseguiu representar o encontro. “Gostaria de agradecer ao Instituto Polis e ao Pontão de Convivência e Cultura de Paz pelo intercâmbio e pela realização da Roda. Agradecemos por terem vindo de tão longe. Essa visita é fundamental para fortalecer nosso trabalho, principalmente na questão da Cultura de Paz. A gente acredita que tem uma contribuição para o desenvolvimento da Cultura de Paz e com a realização da atividade nos sentimos mais apoiados e que também não estamos sós”, finalizou Lucimar.


4 Comentários

  1. MEIRE APARECIDA DE SOUZA IZEL
    Enviado em julho 4, 2009 às 10:33 pm | Link

    sou assistente social e gostaria de saber como faço para deixar meu curriculo com voces.

  2. cristiane
    Enviado em julho 22, 2009 às 2:12 pm | Link

    Olá Meire
    Vc pode enviar o currículo para pontao@polis.org.br

    Abraços
    Equipe Pontão Temático de Convivência e Cultura de Paz

  3. Paulo Vitor de Souza Barboza
    Enviado em outubro 14, 2009 às 11:21 pm | Link

    Vocês tem algum numero pra contato?

  4. Maria Gorete Ferreira da Costa
    Enviado em maio 15, 2010 às 6:54 pm | Link

    Sou estudante de Serviço Social, e é muito interessante o trabalho de voces. Vejo que é necessário hoje a cultura da paz. É sonho de ver todas essas crianças com uma vida dígna e muito felizes. Trabalho numa instituição e também estamos introduzindo de uma maneira silenciosa a cultura da paz estamos com na espectativa. Esperamos um resultado assim contagiante. Muitas realizações para voces.
    Um grande abraço.

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