A segunda Roda de Convivência do Pontão de Cultura aconteceu em 25 de setembro, no Centro Cultural Arte em Construção, sede do grupo teatral Pombas Urbanas.
Localizado na Cidade Tiradentes, bairro do extremo leste da cidade de São Paulo, o Centro desenvolve trabalhos artísticos e educativos com a comunidade com o objetivo de ampliar suas capacidades humanas e criativas. Cerca de 20 jovens participaram da atividade que teve como ponto chave o diálogo na solução de conflitos de opinião.
Para aquecer, todas e todos ouviram a música Comida, composição de Arnaldo Antunes, gravada pelo grupo Titãs. Enquanto alguns se acomodavam, outros acompanhavam a canção, marcando a batida com os pés e as mãos. Ao final da música, a equipe de oficineiros parafraseou a letra, ao afirmar: “Nós temos sede de convivência”. Esse foi o gancho para que a equipe apresentasse os objetivos , idéias e valores do Pontão. A apresentação despertou a curiosidades nos jovens, que desejavam ter mais informações sobre o funcionamento e estrutura do Pontão.
Para esclarecer melhor o tema, os oficineiros pediram aos jovens que colocassem sua visão sobre convivência, paz e cultura. Sobre convivência, saíram definições como troca, diálogo, socialização, experiência, respeito, amor, compreensão; sobre cultura, criação, memória, arte, construção, história, identidade, valor, herança, patrimônio; já sobre paz, calma, tolerância, respeito, esperança, silêncio, diversidade, mudança, necessidade.
Chegou então o momento de escolher o objeto símbolo da Roda. Cada um deveria pensar em um objeto e, logo após, o grupo deveria chegar a um consenso sobre qual seria escolhido. Muitas possibilidades surgiram. O caderno, em que são registradas as histórias; o violão, por representar a música; a caneta, porque através dela se registra uma história; a mesa do lanche por representar troca e convivência. Depois de tantas escolhas, a discussão ficou polarizada entre dois objetos: o caderno e o violão.
Ficou claro que o grupo precisava resolver o impasse entre a música e a sonoridade ou escrita e o registro da história. O debate foi acirrado, os argumentos convincentes de ambos os lados e a tensão nos debates pairava no ar. Eis que o grupo encontrou uma solução surpreendente: a escolha de um terceiro objeto, um vaso com planta por representar a vida e a natureza. Depois disso, o grupo que até então estava dividido, voltou a tornar-se coeso e a Roda seguiu seu caminho.
Além disso, a discussão em torno da planta gerou um ótimo debate. “A raiz é o coração, impulsiona o crescimento. O caule a cultura, os ramos os pontos de cultura e os frutos somos nós aqui, nesta reunião discutindo paz e harmonia”, disse Juli Evelin Alves de Lima.
Natali Santos, da equipe de coordenação do Pombas, disse que se pode destruir as plantas, mas se houver sementes, ela crescerá novamente, assim como a cultura.
O paralelo com a planta também foi aplicado até com a história do próprio Pombas Urbanas. “O que era o Pombas quando chegou aqui?? Tivemos que começar com a terra (referindo-se a comunidade local), afofar, adubar. Tivemos que preparar a comunidade para receber o Pombas. Só depois de muito regar começamos ver os frutos. Preparar a terra, semear, regar, adubar, podar, crescer. Dar frutos!!!”, contou Ricardo Muniz, o Big, também da coordenação do Pombas.
“Quem nunca viu alguma planta brotar no cimento? Às vezes, cai a semente ali numa fresta no meio do cimento, e a planta nasce, resistindo ao tempo… Temos que resistir ( referindo-se aos pontos de cultura), vencer as barreiras, lutando de qualquer jeito… Resistir! A arte resiste ao tempo”, afirmou Fábio Vaiano.
A partir da escolha do objeto simbólico (o vaso com plantas) foi possível que os jovens do Pombas Urbanas pudessem se sentir representados exalando seus frutos e refletindo sobre a cultura da convivência e paz.
Para o encerramento da roda, o grupo criou um cânone, uma técnica musical, no qual todos participam criando uma canção. As vozes se integraram e refletiram sobre uma palavra que permeou toda a Roda: a convivência.
Para ter mais informações sobre o Pombas Urbanas, acesse www.pombasurbanas.org.br
” Zero a zero, não é legal
E pega mal, pra qualquer um
Conviver é a arte, de juntar as partes
De cada um, um a um…”





Um Comentário
Preciso entrar em contato com O sucessor do Lino, no momento esqueci alguns nomes que eu conheço ai da companhia do pombas, mas por favor entrem em contato comigo o mais urgente possivel, pelo fone 11- 83050604 grato pela atenção,
Osmar ( amigo de Marilia Pera, que fez a peça “Buraco Quente”.
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