Planalto Central recebe Roda de Convivência e Cultura de Paz
A Roda de Convivência e Cultura de Paz, que já percorreu diversos lugares do Brasil, chegou em 8 de novembro ao Planalto Central para desenvolver a atividade no Ponto de Cultura Atitude Jovem, localizado em Ceilândia. O grupo é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, criada em abril de 1998, por jovens da região administrativa de Ceilândia no Distrito Federal. A organização não tem vínculo partidário, estudantil ou religioso e se fundamenta nos princípios da cidadania, na luta pela garantia dos direitos civis constituídos, de forma a contribuir para uma sociedade mais justa e solidária.
A entidade desenvolve ainda atividades de cunho social nas áreas de saúde, educação e defesa dos direitos de crianças e adolescentes em situação de exclusão social, em conflito com a lei, moradores de rua e estudantes da rede pública de ensino do Distrito Federal. O Grupo Atitude trabalhou nestes anos para encontrar respostas coletivas a esses tipos de carências, criando espaços de debates, encontros e organização.
A roda começa com uma dinâmica onde cada participante se apresenta dando ao seu nome melodia, ritmo e movimento corporal, que expresse alguma característica marcante de si. Essa impressão é compartilhada com o grupo de forma a promover o reconhecimento e integração.
O caderno criativo foi apresentado ao grupo, que poderia nele colocar expressões sobre a roda, a qualquer momento, além de ver as mensagens deixadas pelos participantes das outras atividades. Para a reflexão inicial o grupo realizou o Painel do Mapa da Convivência. “Pra se ter convivência tem que se ter coletividade, tanto no grupo, como na comunidade. Pessoas lutando por algo em comum. No grupo Atitude e em outros que são atuantes aqui na Ceilândia, a gente vê isso acontecer”, conta Antônio Gomes Filho.
O tema Cultura de Guerra e Cultura de Paz foi estimulado pelas oficineiras com o objetivo de construir um novo painel. Os participantes observaram diversas figuras e escolheram o que cada uma delas representava: paz ou guerra. Na montagem do painel muitas imagens falavam por si: uma cidade suja, um carro preto, o protesto de um homem armado e maus-tratos aos animas foram relacionadas à guerra. Já imagens de anjos, da natureza e de músicos foram ligadas à paz.
A melhor forma de terminar a primeira etapa da Roda seria com um pouco de poesia, não a de palavras, mas com o corpo para comunicar suas idéias. A tarefa ficou a cargo de Muxibinha, dançarino de break, que mostrou toda a sincronicidade de seus movimentos. A finalização de certa forma, já anunciava o que viria no segundo tempo da roda de conversa.
Após o almoço coletivo a Roda começou com um jogo corporal para integrar tudo o que tinha sido discutido na primeira etapa da atividade: a dinâmica da Engrenagem Humana. Este jogo tem por objetivo proporcionar um entendimento corporal, intelectual e emocional dos conceitos trabalhados. O conjunto de peças de um maquinário, acionadas umas as outras, transmitem movimentos e sons sincronizados, obedecendo uma cadência e movendo-se em torno de um eixo. Isso comprova que, para uma convivência harmoniosa, é preciso encontrar nos grupos sincronia, cadência, ritmo, responsabilidades nas funções e papéis exercidos. Se uma peça da engrenagem enrosca ou quebra, o maquinário pára de funcionar. Assim acontece também nas relações humanas. Os participantes foram divididos em três grupos de cinco pessoas, onde cada um montou sua engrenagem. Ao final do exercício, todos montaram uma única engrenagem que recebeu dos próprios participantes o nome de ‘COM FUSÃO’.
Depois disso, o grupo escolheu o objeto simbólico. Depois de muita conversa, o objeto escolhido foi o pincel: ” Porque a gente pega a experiência de cada um aqui e começa a desenhar uma nova história”, defende Antônio Gomes Filho, um dos participantes. A partir da escolha da imagem simbólica do pincel, que dá forma, desenha e cria, teve início a discussão das atitudes de paz em Ceilândia já realizadas nos coletivos. Sérgio de Cássio Nascimento, cita como exemplo, a ação do grupo de rap Sobreviventes da Rua, como exemplo de atitude de paz na cidade. “O Rap é uma das culturas de música que mais se integra porque tá de frente nas ruas, nas cadeias. Ontem mesmo eu estava três horas da manhã na rua e vi uma criança de 14 anos, praticamente drogada, falando que ‘vão me matar eu vou morrer’. Precisamos olhar para esse jovem. A paz entra aí. Eu até tentei conversar com ele, abracei ele que tava chorando. Disse que queria conversar pra fazer uns trabalhos com ele. Foi dez e eu senti que pelo rap eu consegui chegar nele, tentando colocar alguma coisa boa na sua cabeça. Eu acho que o rap é uma forma de pregar a paz”, acredita Roberto Barbosa da Silva.
Chega o momento de construção coletiva de propostas de políticas públicas para a juventude na Ceilândia. Os participantes apontam muitos problemas nas áreas de educação, saúde, e a necessidade de formação e conscientização dos jovens. Como idéias surgem a possibilidade de diálogo com o SESC regional para parceria e gratuidade na matrícula ou entrada da população (o ingresso gira em torno de R$ 15, valor alto pra realidade da população de Ceilândia); acesso gratuito as áreas de lazer; capacitação para professores da escola pública em direitos humanos e cidadania; fortalecimento do projeto Escola Aberta; monitoramento de políticas públicas em saúde, com a distribuição de preservativos; parceria de formação com empresas privadas; programas de conscientização sobre a não violência e conceitos de cultura de paz.
A Roda termina com a apresentação do grupo de Rap Sobreviventes da Rua, que através de sua arte comunica a linguagem própria dos jovens de Ceilândia.
Saiba mais sobre o Ponto de Cultura Atitude Jovem. Acesse www.grupoatitude.org.br









2 Comentários
estamus junto com o grupo atitude por uma camunidade unida pela paz e para que o jovem tenham uma vida saudavel !!!!!!!!!!
henrique sobreviventes de rua
ola! Eu me chamo Vitor,e queria a presença de voces na minha escola que se situa na ceilandia no setor´o´
na 3/5.
Vou explicar melhor:Todo ano na minha escola tem um projeto cultural chamado ´art cult´eo nosso tema esse ano e ceilandia cada professor conselheiro ficara com ceilandia e sua materia Ex:Filosofia(filosofia na ceilandia)o subtema do meu grupo e cultura da ceilandia e queria claro se puderem ir nesse evento dar algumas palestras o tempo e curto porque tem mais temas a serem apresentados mais informaçoes acessem meu e-mail:wytorbatista@hotmail.com