Pontão de Cultura UFMG – Centro de Convergência de Novas Mídias – Belo Horizonte (MG)

dsc031141Encerrando a primeira etapa de seu trabalho, o Pontão realizou a Roda de Convivência e Cultura de Paz, em 22 de abril, no Pontão de Cultura da Universidade Federal de Minas Gerais, no Centro de Convergência de Novas Mídias, em Belo Horizonte.

O Centro de Convergência de Novas Midias (CCNM) é um grupo de pesquisa da UFMG que resgata a memória e o patrimônio da cultura urbana, aliado à novas mídias de comunicação. O Centro é formado por profissionais de diversas áreas e tem como proposta ser transdisciplinar, para garantir o maior fluxo de conhecimento entre quem nele trabalha, as escolas da rede municipal de ensino e comunidades da periferia de Belo Horizonte (a quem se destina o projeto). Atualmente desenvolve três ações centrais: a cartografia de sentidos nas escolas através do Projeto Lê; memória e patrimônio, que acontece nas comunidades da periferia de Belo Horizonte e região metropolitana; e o letramento digital, um trabalho basicamente desenvolvido com prostitutas, participantes do EJA (educação de jovens e adultos) e integrantes da economia solidária. Todos esses projetos têm o objetivo de usufruir e se apropriar dos espaços urbanos.

O Pontão de Cultura da UFMG pretende, não apenas apostar no que as comunidades já produzem, mas também potencializar a distribuição de seus produtos culturais e, principalmente, apostar nelas como potentes geradoras de inovações e invenções. Todo esse processo é perpassado pelo vínculo com a universidade pública, trazendo a democratização do conhecimento acadêmico no momento da construção de metodologias para atingir os objetivos propostos. As comunidades de referência para o trabalho do Pontão da UFMG são: Centro Cultural Bloco Oficina Tambolelê; Conselho de Pais Criança Feliz; Escola Municipal Israel Pinheiro; comunidade de Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro. O trabalho envolve jovens de diferentes faixas etárias, mas a maioria está em idade escolar.
“Nós do Pontão de Cultura da UFMG acreditamos que a inclusão social de grupos minoritários emerge no cenário nacional como uma demanda urgente. Neste sentido, o Centro de Convergência de Novas Mídias tem como proposta estabelecer diálogos consistentes com temas e questões pertinentes para o atual cenário brasileiro, na direção de elaborar metodologias de ação e intervenção que promovam o exercício efetivo da cidadania nas comunidades e populações vinculadas e/ou parceiras do projeto”, conta Denísia Martins, uma das coordenadoras do CCNM.

A Roda tem início com a apresentação do Pontão de Convivência e Cultura de Paz e as principais diretrizes que guiam o seu trabalho. Começa então a troca de impressões com o objetivo de, mais tarde, construir o Mapa da Convivência. Martha Lemos, oficineira do Pontão, orienta os participantes a tentar identificar o que já existe e se produz de cultura de paz no Pontão da UFMG. Ela dá o exemplo do grupo Cultural Tambolelê, que tem dona Fininha, uma senhora que promove a festa de São Cosme e Damião na comunidade do Glória em Belo Horizonte. A ação de Dona Fininha se conecta com a experiência de Lençóis, na Bahia, no ponto o Grãos de Luz e Griôs. Na comunidade do Remanso, dona Judite promove a mesma festa. “Conexões distantes mas tão presentes, reais e próximas. Comunidades espalhadas pelo território e que dialogam em suas tradições, ancestralidade e práticas socioculturais”, lembra Martha.

Um dos participantes da roda, recém chegado ao trabalho no CCMN, pergunta como é desenvolver o trabalho com uma comunidade fora de Minas Gerais, como a que acontece na comunidade de Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro. “É uma experiência quase de ensino à distância, já que vamos lá, desenvolvemos o trabalho, trocamos, construímos juntos e depois ficamos distantes por um mês. Do ponto de vista da construção, o que a gente já conseguiu em três encontros é algo que nos deixa animados”, responde Denísia. “E o que é interessante é que sempre tem um projeto de valorização do seu ambiente dentro de cada oficina e projeto. Num curso saímos para analisar os sons que existem em Belo Horizonte e isso já resgata uma cultura, um valor relacionado à cidade. Isso eu achei bem interessante também: você poder também se expressar, dizer o que acha de tudo aquilo”, conta Marcos Vinícius Carvalho.

Depois da troca de opiniões e vivências, Martha Lemos orienta a todos a refletirem sobre o que conversaram para criar coletivamente a foto-cena. A idéia foi criar a cena a partir dos conceitos de gestão e partilha das novas tecnologias em relação aos sentidos humanos e percepções, estabelecendo relações em diversos ambientes: escola, laboratórios, telecentros, comunidade. Traduzir o que a convivência reflete em cada um e quais desafios existem para continuar o trabalho, através do corpo – gesto e intenção. A foto cena envolve todos os participantes e surge do movimento individual espontâneo, por meio do improviso e da ação ampliada. A criação grupal reflete, nitidamente, o ‘aqui-agora’ do grupo do CCNM, que busca convergir novas tarefas, pessoas, dinâmicas e recursos para continuidade do trabalho.

Indicações para seguir

Na seqüência, a criação do Painel da Cultura de Paz e Cultura de Guerra. Conhecimento, educação, solidariedade e coletividade surgiram como atitudes de paz; já a banalização da violência, a solidão e a segregação, foram alguns dos pontos que se relacionaram com a guerra. “Eu acredito que a desagregação e a falta de respeito ao próximo tem a ver com o que eu escrevi sobre a banalização da violência. Eu fico surpreso como nós estamos acostumados com isso”, comenta Guilherme. “A educação é uma linha condutora e constrói as possíveis tentativas pra uma cultura de paz. Uma educação mais ampla que abrange e não restringe a escola”, defende Renan.

Neste momento, os oficineiros compartilharam a experiência do Ponto de Cultura Coco de Umbigada e sua resistência pacífica ativa na resposta a repressão que veem sofrendo (Saiba mais).
O grupo refletiu e debateu sobre políticas públicas e surgiram algumas indicações surgiram: a criação de uma rede social virtual consolidada e institucional de cultura de paz nos pontos de cultura e programas governamentais; abrir uma agenda pública de escutação com o poder público local, estadual e federal sobre cultura e arte, comunicação e cultura digital; criar um banco de dados de tecnologias sociais e culturais entre ongs, instituições, pontos de cultura e parceiros públicos ou privados; restabelecer o sentido de paz como cultura nos diversos ambientes socioculturais; ampliar métodos e gestão compartilhada intersetorial nas políticas públicas para intermediar, mediar a negociar conflitos sociais; organizar movimentos populares, sociedade civil, conselhos de direitos e outros agentes do poder público local, envolvendo a comunidade empoderada em suas habilidades e talentos para reagir a violência em suas diversas esferas.

Como objeto símbolo, o grupo elegeu o ambiente virtual, concretizado na relação estabelecida e proposta, de criar uma rede social de cultura de paz e convivência.

Esta Roda deixou claro que, o principal desafio para difundir a cultura de paz é ampliar o tema, divulgá-lo, criar novos espaços para aproximar a cultura de paz da população mais vulnerável socialmente. Por isso, a principal proposta surgida ao final da atividade foi a formação de uma rede social e institucional com os grupos que se relacionam com o tema da Cultura de Paz. “Eu vejo que um começo viável seria a consolidação desses 20 pontos que vocês conseguiram visitar. Se a gente consegue se conformar numa rede social, numa rede institucional, quem sabe não conseguimos, cada um no seu estado, discutir isso com outros pontos de cultura. Acho que se começamos nessas bases, dentro das nossas instituições, iremos trazer outras pessoas que não estão diretamente ligadas a pontos de cultura, mas que estão atuando em algum setor da área cultural que estão ouvindo falar disso e querem fazer parte disso também, eu acho que é um começo bem razoável”, finalizou Denísia.

O trabalho segue, para consolidar a cultura de paz e reencantar o mundo.

Para saber mais sobre o trabalho, acesse: www.ufmg.br


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