Cedeca Interlagos – São Paulo

Arte urbana é tema central da primeira Roda de Convivência e Paz que aconteceu no Cedeca Interlagos

A primeira Roda de Convivência e Paz do Pontão de Cultura do Instituto Pólis aconteceu em 6 de setembro no Cedeca Interlagos, região sul da capital paulista. Mas a atividade começou um final de semana antes, nos dias 30 e 31 de agosto. A equipe de oficineiros do Pontão esteve no bairro para participar de uma atividade organizada pelo coletivo Rupa (Rapazeada Unida pela Arte), em integração com outros grupos como Anpa, Balaio, Imagem, Ritual, Grajaú, Artixo.

O evento tinha como objetivo grafitar o muro da escola E. E. Homero Vaz do Amaral do bairro Jd. Kioto. O muro cinza deu lugar a mensagens coloridas feitas pelos artistas. O grafite, arte urbana por natureza, marca presença com a juventude da região.

Os oficineiros do Pontão estavam lá com um objetivo: conhecer e se apresentar a todos aqueles jovens. E para isso, nada melhor do que uma boa dose de arte. E antes mesmo da Roda de Convivência acontecer, em alguns momentos, aconteciam conversas marcadas pela Cultura de Paz: “Sempre troco uma idéia com os moleques. Os pais deles costumam falar mal dos pichadores e eles acabam achando que somos todos iguais. Daí temos que explicar que não estamos fazendo coisa errada. Lá no nosso grupo, o Hip Hop Atitude, do Taboão da Serra (cidade da região metropolitana de São Paulo), a gente tinha uma oficina para ensinar grafite para os moleques. Agora deu uma parada por causa da campanha eleitoral. Os políticos cortaram a verba para fazer campanha. Mas sempre que dá, a gente quer passar o grafite para os mais novos”, afirma Teco. Todo o trabalho já esboçava a papel fundamental que o grafite tem para os jovens da região.

Finalmente chega o dia da Roda de Conversa. Ansiedade, curiosidade, uma mistura de sentimentos tanto dos oficineiros quanto dos jovens. No começo, poucos jovens estavam presentes, o que trouxe o risco de não ocorrer a atividade por falta de quórum. Mas ao final, cinco jovens participaram da Roda.

Para justificar a ausência dos outros, Wellington da Silva, conhecido como Tim, começou a falar e, de uma maneira extremamente espontânea, deu início ao diálogo. “Não rolou da galera colar hoje aqui por vários compromissos! É preciso algo mais para atraí-los. Alguns até se interessam em estar presentes, mas moram longe e não têm a grana para a passagem de ônibus. No sábado muitos estudam ou trabalham, eu mesmo não acredito em projetos, vejo e acredito nas pessoas”.

O ponto de partida da Roda foi o evento de grafitagem realizado um final de semana antes. Foram exibidas fotos e alguns vídeos produzidos pelos jovens. A conversa deixou claro o papel de integração que o grafite tem. A região possui uma grande diversidade de grupos de jovens: o grafite e hip hop, movimento humanista, vegetarianos, punks, poetas, a galera de cinema. E todos estes coletivos se integram através do grafite. “Dentro do grafite a gente conhece pessoas, se relaciona, recebe gente de vários lugares”.

A cumplicidade chega a um ponto que cria-se um link só pelo puro prazer de pintar! ” Além disso, Tim conta que há vários espaços de articulação e convivência de jovens na região, como o grupo de estudos sobre Direitos Humanos no Cedeca a partir do projeto R.U.A.S em parceria com o FACA (Foco de Atividades de Cultura Alternativa), que recupera a trajetória histórica e a militância ativista dos grupos e movimentos sociais. Há também o núcleo cultural Vozes do Grajaú que reúne poéticas jovens; a criação de um Conselho de Cultura, que está em processo de formação; e a retomada da relação com os CEUs da região, alterada por causa de mudanças na administração municipal e regional.

O grafite como forma de expressão

O grafite se mostrou como a maneira mais direta que esta juventude tem para comunicar seus sentimentos, valores e idéias, sempre com o objetivo de transformar. “A Arte de rua é, sobretudo, estética, de fantasia subversiva. Transformação social. Vemos o mundo como o Fim do Mundo, transformações são possíveis, temos que parar com essa masturbação ideológica, a revolução está no olhar, na comunicação e respeito mútuo,” conclui Juliano da Silva.

Enquanto a Roda de Convivência acontecia, um caderno foi circulando de mão em mão. Nele, a expressão artística não-verbal revelou idéias, conceitos, preconceitos, olhares e percepções sobre a convivência e cultura de paz presentes para aquele grupo. Eduardo Alcino diz: “Legal, como o caderno é o grafite, tema que a gente mais gosta – Tema Livre”.

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Um Comentário

  1. Sávio Gomes
    Enviado em setembro 2, 2009 às 8:43 pm | Link

    O CEDECA pode ter seus méritos! Mas, soltar o criminoso Champinha, com laudo de PSICOPATA é uma AFRONTA À TODA SOCIEDADE! Esta atitude do CEDECA extrapola de suas funções e com este procedimento mostra que a Instituição passa a ser nociva à sociedade!
    Proteger a criança e o adolescente é uma coisa, motivar a Arte é maravilhoso, mas colocar um frio criminoso num ambiente de luxo, com TV tela plana e controle remoto, é fazer mau uso do dinheiro público, que por sinal vem do povo brasileiro! Isto é uma vergonha!!!

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