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Cartilha Encontro de Ponteir@s Multiplicadores de Convivência e Paz p/ baixar.

A Cartilha organizada pela equipe do Pontão de Convivência e Cultura da Paz, para o 1° Encontro de Ponteiros, (evento ocorrido entre os dias 18 a 20 de junho de 2010, em Braganca Paulista, interior de São Paulo) apresenta diversos textos sobre Convivência e Cultura de Paz, políticas públicas, metodologia de auscultas, pedagogias de convivência, comunicação não-violenta, entre outros temas que perpassam a ação de nosso projeto.

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APOSTILA Encontro de Ponteir@s Multiplicadores

CULTURA E SUSTENTABILIDADE

Por Hamilton Faria *

Estamos num momento civilizatório, onde a sustentabilidade ganha a centralidade jamais vista, em virtude da insustentabilidade planetária e de seus impactos sobre os modos de vida contemporâneos. O debate cultural necessita ganhar profundidade em relação a esses desafios. Se os anos 1990 significaram o início dessa discussão – ainda centrada na importância da cultura, sua democratização de oportunidades, participação, cidadania e direitos –, hoje caminhamos para visões e intervenções que levam em conta uma noção de totalidade da cultura, tendo como horizonte a formação de uma cultura sustentável e de parâmetros para a cultura da sustentabilidade. Podemos afirmar que os anos 1990 estavam para a democratização da cultura assim como os anos 2000 estão para a sustentabilidade, isto é, a cultura como direito à vida, modos de vida, transversal, gerando novos conhecimentos e ações. A ação cultural local ganha novo sentido na interação com o desenvolvimento sustentável.

Sem uma noção cultural, o desenvolvimento descola-se da vida cotidiana das pessoas e comunidades ou a atrai para lugares onde sua vida e tradições não têm lugar. Houve ao longo do tempo uma distância entre desenvolvimento e cultura e um dos grandes desafios contemporâneos é buscar linhas de força convergentes para que o desenvolvimento das sociedades seja também o das pessoas e de toda a comunidade dos seres vivos. Necessitamos construir metodologias, políticas, teorias que aproximem esses campos tão díspares, terreno propício dos processos de diversidades e identidades, pois a cultura deve ser entendida de forma abrangente e lugar por excelência do desenvolvimento, que dá essência ao desenvolvimento e pode ser o sustentáculo do desenvolvimento sustentável.

Uma cultura sustentável pode contribuir para curar o planeta e a localidade. Segundo a Tradição Nativa Americana, a cura significa aquilo que pode ajudar a pessoa a se sentir mais integrada, harmonizada com a natureza e a vida (Sams, 1990).

O local e seus significados

Os processos globais, a formação dos Estados nacionais e os modos de vida contemporâneos descaracterizaram de certa forma o local, ou muitas vezes, desacreditaram a localidade. Com a emergência do paradigma ecológico, o local volta a bradar seu grito de existência, afirmando que é lá que a cultura se constitui. Em seu movimento constante, garante, ressignifica, potencializa experiências e imaginários. Em torno do local circulam narrativas, experiências significativas, enfim, as “aldeias” passam a simbolizar alguma coisa a mais do que a nostalgia dos tempos idos, ou de um localismo essencialista, coisa que andou esquecida ou perdida entre os ventos globais. É interessante relembrar quando o geógrafo Milton Santos afirma que o local é a essência e o global a aparência. Como veremos – nem tanto ao céu nem tanto a terra –, não podemos afirmar isso categoricamente porque as decisões globais também são mais que aparência e passam quase sempre por outros canais que não o território ou a localidade. No mundo das tecnologias de informação e comunicação, da publicidade, do branding e das marcas, que não apenas instrumentalizam a economia, mas criam cultura, os processos, mesmo locais, são mais complexos que a antinomia local-global.

Em verdade a expressão desenvolvimento é limitada e problemática, pois apartou a atividade econômica de outras dimensões da vida a ponto de só essa garantir o bem-estar. Estabeleceu uma noção de riqueza como apropriação de bens materiais e a natureza tornou-se um mero recurso a ser utilizado (Coll, 2006). Por outro lado, a ideia de desenvolvimento foi fartamente manipulada pelas elites, civis ou militares, industriais ou agrárias, desenvolvimentistas ou populistas, direitistas ou esquerdistas, que sempre envolveram as populações ou as tomaram como “público-alvo” – e alvo mesmo – de políticas que nem sempre resultavam em melhoria para o país ou região, mas para a redefinição de processos da formação econômica, de infraestrutura industrial ou mesmo criação de condições para processos hegemônicos ou de dominação. É mais apropriada, se quisermos utilizar o termo desenvolvimento, à adjetivação dessas expressões tais como desenvolvimento humano ou desenvolvimento sustentável, ou mesmo desenvolvimento saudável, que podem expressar melhor, embora não de forma precisa, não meros processos de crescimento, mas a qualidade de vida inserida neles. Considero de maior precisão o “desenvolvimento dos seres humanos” ou mesmo o “desenvolvimento da qualidade de ser” (Fonteles, 2001).

O fato é que não se trata de mera expressão linguística: hoje temos necessidade premente de refundar a linguagem e as metáforas para que possam expressar melhor os conteúdos das propostas de mudança. É interessante notar que as “ciências da mudança” estão repletas de palavras e expressões bélicas como estratégias e táticas, trincheiras, avanços e recuos, mortes e mortos, tiros, bunkers, derrotas e vitórias, lutas e guerras, passos adiante e atrás, cercos e conquistas, arsenais e tiros – heranças de experiências revolucionárias ou de resistência.

Neste sentido, há que mudar a linguagem para narrar caminhos de convivência e cultura de paz, pois a palavra é fundadora do mundo, anuncia significados, símbolos, portanto funda e, ironicamente, “afunda” culturas.

A expressão local não deve ser entendida em oposição ao global – pois as realidades são cada vez mais glocais (local e global) – mas chama a atenção para dinâmicas vivenciais que desenham o rosto do dia a dia das pessoas, do território de vida, da ação, da mudança e da imaginação.

No local está a essência?

Quando se fala em local, geralmente vem a associação com desenvolvimento econômico, uma noção antiga que contém em seu centro, quase exclusivamente, a questão da geração de renda local, muitas vezes ancorada numa visão homogênea de cidade, com harmonia entre seus atores sociais e culturais, com discurso único da localidade: enfim, um certo “localismo” em oposição ao que acontece no mundo da sociedade perpassada por grandes conflitos.

Mais recentemente, esses discursos têm sido associados a um certo bem-estar e qualidade de vida material, com alguma distribuição de renda. A cidadania e a governança na localidade também são tratadas cada vez com maior ênfase. Do ponto de vista político há aqueles que defendem e os que questionam a visão que compreende o território ou a localidade como lugar do contrapoder à lógica da desigualdade, como paradigma alternativo à sociedade conflituosa e pervertida; lugar de contra-hegemonia e de resistência aos caminhos do movimento global através de ações cidadãs, redistribuição de renda e poder, democratização, fortalecimento de atores e da sociedade civil etc.

Sem dúvida, trata-se de um tema muito controverso do ponto de vista tanto metodológico como conceitual, e talvez não possamos ainda avançar significativamente neste campo de análise. Está cada vez mais claro que não se trata de um novo paradigma emergente, pois o local não dá respostas completas para os complexos processos socioculturais contemporâneos. Mas é fato que a localidade é um espaço privilegiado da ação e da experimentação, seja na rua, nos espaços públicos, na região ou no município. Na verdade o local é um pouco aquilo que fazemos dele. Não é dado de antemão, é construído historicamente pelas experiências individual e social dos seus habitantes, seja num prisma mais político de governança e participação, ou no plano da criatividade artística, cultural e espiritual ou ainda das reelaborações de heranças culturais. É o nosso olhar que também o constrói. Assim, temos experiências humanas de sociabilidade, de revelação da diversidade, de diálogos interculturais, de construção cidadã, de exercício da autonomia, de outras relações com a natureza e com o outro, território de fabulações e imaginação.

Podemos, portanto, considerar o local como lugar privilegiado de protagonismo sociocultural, ou seja, do exercício da autonomia das pessoas e grupos na construção de redes vitais, do empoderamento ecopolítico, da produção de sentidos para a cidadania cultural. Aqui é importante entender com um olhar mais abrangente a questão do empoderamento, não apenas na sua dimensão mais restrita que diz respeito à decisão dos grupos, à participação social e política, mas na apropriação e criação de vidas significativas e com sentido no interior da coletividade e da cidade. O sentido da cidadania não se qualifica inteiramente se não nos constituirmos em pessoas mais evoluídas nos seus significados de existência, na sua relação consigo e com todos os outros. Dessa forma, a construção da cidadania cultural a partir de referenciais da vida no território é vital, aqui entendida como o direito a participar dos processos criativos, acesso e fruição de significados, saberes-experiências já dados e direito de decidir sobre os rumos do fazer cultural; o direito à informação, às diversidades e identidades e à singularidade e, finalmente, o direito às poéticas (fabular, sonhar, utopizar, enfim, construir realidades do mundo imaginal e poético). Creio que, a partir daí, o que se chama de modo empobrecedor de “protagonismo”, cresce em seus significados para um lugar mais abrangente de possibilidades, além da política, como a experiência humana vivencial; a experimentação do novo, diálogos interculturais ricos com a ancestralidade e a invenção, a economia e a política, e porque não dizer também, de visões universalizantes, além do localismo ingênuo, uma visão de Gaia a partir da Aldeia e da elaboração de um imaginário multicultural componente da experiência humana de todos os tempos. A partir dessas considerações podemos criar uma outra visão mais totalizante do local.

Sustentabilidade cultural

Ao tratarmos da questão cultural na atualidade precisamos afirmar que esta não pode nem deve mais ser pensada de forma isolada, pois é necessária uma visão de totalidade sobre o território e a sociedade. Embora a equação “cultura = arte” esteja ultrapassada no debate cultural, e o Plano Nacional de Cultura e o Sistema Nacional de Cultura anunciem outras visões, diálogos e contextos, a maior parte dos envolvidos ainda manifesta uma percepção segmentada do acontecimento cultural. Desde meados dos anos 1990 contribuímos, por meio do Fórum Intermunicipal de Cultura (FIC) e do Instituto Pólis, para anunciar uma compreensão mais larga do fenômeno cultural, ao apontarmos para a importância da cidadania cultural a partir de uma visão ampliada da cultura que desse conta não só da arte mas dos valores, das criações e imaginários e dos processos de sustentabilidade.

Um dos documentos do FIC afirmava (Cartas da Cultura, 2003, p.20):

Cultura é também qualidade de vida e qualidade de ser. O desenvolvimento não pode ser promovido sem cidadania cultural. Uma sociedade sustentável promove a diversidade cultural, o pluralismo e a solidariedade. Portanto, defendemos os seguintes pressupostos:

  1. a cidadania cultural como um direito a vida em suas mais diversas manifestações e base para o exercício da cidadania plena;
  2. O direito à liberdade de criação cultural como direito inalienável dos seres humanos, sem o qual jamais se chegará à liberdade;
  3. O direito a participação da sociedade nos processos de decisão cultural;
  4. O direito à informação como fundamento da democratização da cultura;
  5. O respeito às expressões da diversidade como fundamento de uma verdadeira democracia cultural.

Essas declarações, que estiveram amplamente presentes no debate público, embora ainda limitadas para as exigências atuais, já anunciam com todas as letras um caminho para uma conversa mais ampla da cultura: modos de vida, direitos culturais, processos participativos e governança, papel dos movimentos culturais da sociedade civil, informação, democratização da cultura, diversidade cultural e democracia cultural.

O sociólogo Agusti Nicolau desenvolve em seu livro A Globalização Intercultural (Coll, 2006), uma interessante metáfora sobre a cultura fazendo analogia com uma árvore para mostrar os três níveis estruturais: os valores e as crenças, da ordem dos mythos (as raízes); as instituições, formais ou informais que possibilitam aos valores assumirem concretude e visibilidade (o tronco); e as práticas concretas e cotidianas em todos os âmbitos (os galhos e as folhas). Neste sentido seriam formadoras da cultura as práticas econômicas, políticas, sociais, ambientais etc.

Certamente estamos falando de uma visão mais ampla de cultura, uma cultura da sustentabilidade, que dá conta de dimensões maiores que arte e que trata da cultura como um todo, como um bem comum da localidade, do país, do planeta; de um paradigma de saudabilidade, de saúde para o planeta – social, mental e ambiental. E também estamos falando de uma integração de conhecimentos e ações que justamente dão essa conotação de sustentabilidade e não apenas de uma visão ambientalista de mundo, sem negá-la, é lógico. E quando falamos de sustentabilidade, estamos falando de bem comum. Não há cultura da sustentabilidade sem a preservação e o desenvolvimento do Bem Comum. E os bens comuns são patrimônios da humanidade, valores partilhados, imaginários, bens necessários para a vida, criações coletivas. Desta forma a cidade deve ser um bem comum – a água, a terra, a alimentação, os patrimônios culturais materiais e imateriais fazem parte de uma cultura urbana sustentável.

Sustentabilidade e interculturalidade

A localidade possibilita, pela proximidade entre seus atores, a possibilidade de criação de uma cultura conversacional, base da construção da cultura local e de alternativas ao desenvolvimento centrado na economia.

O diálogo entre organizações, redes, fóruns, parcerias público-privado, rural-urbano em articulação nos três níveis local-estadual-federal, pode implementar um processo criativo de aproximação, diálogo e sínteses de modos de vida, ações e políticas públicas relevantes para o desenvolvimento da localidade. É sempre necessário reafirmar essa verdade presente no diálogo intercultural, pois muitos movimentos e, particularmente governos, ainda se fecham em pequenas políticas e não acreditam na capacidade dialógica para a construção de ações, políticas e da esfera pública. O local é um lugar de oportunidade do encontro das diferenças; que deveria ser o fundo comum de todo o trabalho cultural local: a criação de uma verdadeira cultura da convivência a partir das diferenças explicitadas no diálogo e nas ações públicas.

Com essas considerações estamos demonstrando que o nossa meta é construir o desenvolvimento humano e a qualidade de vida integral: talvez seja isto que pretendemos – criar na localidade não apenas processos de uma cidadania mais ativa e de uma governança democrática. O que está em questão, em última análise, é a construção civilizatória a partir do local; não a imagem empobrecida da cidade global, nem aquela que cria parâmetros competitivos para situar-se na ordem da desordem global, mas a que prepara uma outra noção de local com constitutivos de pertencimento e identidades, que diferencia um lugar de outro pela forma como exerce modos de vida culturalmente saudáveis. Como sugere o escritor moçambicano Mia Couto trata-se de um lugar “lugarizado”. Em um debate no Instituto Pólis, com a presença do sociólogo Chico de Oliveira, eu trazia à baila a afirmativa de Milton Santos sobre a essência do local e a aparência do global e Chico chamava a atenção para os limites dessa assertiva. E para argumentar, ele citava o poder das decisões globais e das corporações que decidem a vida da localidade em outro plano não tão localizado, embora proponha que o desenvolvimento local poderia criar lócus interativo entre cidadãos a partir da iniciativa e autonomia. Sem subestimar as virtualidades do local, o importante a saber é que entre o local e o global, como queria Guimarães Rosa em relação ao real “que não está no início nem no fim, mas se dispõe para a gente no meio da travessia” (Rosa, 2005) há um importante território real e imaginário que acontece sem desconhecer as grandes variáveis macroeconômicas e macrossociais e de caráter global, mas que também exaltam as iniciativas da localidade .

Os processos interculturais sustentáveis devem ir além da noção política que facilita a construção de poderes locais, – naturalmente importante quando se trata de apropriação de um determinado território – devem abraçar também uma ecologia interior, uma noção de desenvolvimento pessoal, valores de generosidade e acolhimento nas relações, que geram atitudes e mudanças individuais e coletivas; a participação que dialoga a todo o momento com as várias dimensões da vida – a democracia, os processos educativos, a paz, o equilíbrio ambiental, as várias poéticas da existência; e políticas públicas, diferenciadas das estatais, mas que fortaleçam atores, se capilarizem pelo território, com participação ativa do cidadão comum e não apenas de ativistas públicos.

Às vezes temos a impressão, outras a certeza, de que as políticas remendam situações históricas, mas não superam ou mudam paradigmas do fazer público. Assim, em vez de inovarmos, corremos sempre atrás dos prejuízos ou da compensação para uma vida em colapso permanente.

Não há dúvida de que nos anos 2000 a participação e as políticas públicas deverão dialogar com a sustentabilidade e não apenas com a democracia e processos de empoderamento local ou nacional. A referência de contexto necessita estar dentro de um cenário maior, para não se descolar dos grandes problemas sociais e civilizatórios.

E aí a cultura pode ganhar contornos sustentáveis, pois há uma cultura insustentável presente em nossos estilos de vida marcados por um individualismo exacerbado e por um culto da economia como fator de sucesso, fundamento do desenvolvimento material sem qualquer transcendência.

* Hamilton Faria é poeta, autor de Haikuazes, Encântaros, Súbitos encantos para São Pedra e Espanto, Agenda cultural para o Brasil do presente e O reencantamento do mundo (org.), entre outros.

Bibliografia

Cartas da Cultura 1996 – 2003. São Paulo, Instituto Pólis, 2003. 32 p. (Cadernos Pólis, 7).

Coll, Agusti Nicolau. A globalização intercultural. São Paulo, Pólis/Fondation Charles-Léopold Mayer, 2006.

Fonteles, Bené. Antes arte do que tarde. (Mimeo). São Paulo, 2001.

Rosa, João Guimarães. Grande Sertão – Veredas. Nova Fronteira, 2005.

Sams, Jamie. As Cartas do Caminho Sagrado. Editora Rocco, Rio de Janeiro, 1990.

Santos, Milton. Por uma outra globalização. Rio de Janeiro, Record, 2000.

Carta Aberta pelo Dia Internacional da Paz

DIA INTERNACIONAL DA PAZ

PONTÃO DE CONVIVÊNCIA E CULTURA DE PAZ

A cultura de paz pelo reencantamento do mundo

Hoje dia 21 de setembro de 2009 celebramos em todo o mundo o Dia internacional da Paz. Este dia teve origem em 1981, quando a ONU declarou que este dia “deverá ser dedicado oficialmente à comemoração e reforço dos ideais de paz, quer no interior de cada país quer entre as várias nações do mundo”, O dia de hoje deve ser consagrado à celebração e observação da paz, um dia mundial de cessar-fogo e de não-violência, durante o qual todas as nações e todos os povos seriam convidados a cessar as hostilidades.

Em celebração a esta data, o Pontão de Convivência e Cultura de Paz do Instituto Polis convida a tod@s os ponteir@s, a relembrarem conosco alguns princípios da Cultura de Paz para que diante da violência dos dias atuais, possamos juntos pensar caminhos para mudarmos a realidade atual.

Acreditamos que o desarmamento material e das mentalidades é um caminho de construção da Cultura de Paz . Embora não seja a resolução de todos os problemas é a abertura de uma via para se debater publicamente novas formas de se viver e de governar, com democracia, participação e não-violência. O exercício de conviver e os conflitos emergentes intensificam a experimentação do “inédito” e diante disso buscamos encontrar uma outra possibilidade de ser e de estar no mundo. Cultura de Paz significa respeitar a vida, rejeitar a violência, ser generoso, ouvir para compreender, preservar o planeta e redescobrir a solidariedade, conforme o manifesto 2000 da Unesco.

É importante destacar que a paz não é a ausência de conflitos, ou a passividade, ou mesmo o desconhecimento das raízes culturais que geram a desigualdade e o domínio. É freqüente o desconhecimento dos conflitos e das iniquidades geradas a partir dessa postura idealizada. Consideramos que o reconhecimento do conflito é fundamental para a sua resolução dialógica, consensual e negociada, a partir de ações e valorações nos processos de transformação social. Sem dúvida que não há uma paz sustentável sem desenvolvimento humano e novos modos de vida e uma outra noção civilizatória que propicie o convívio entre os seres humanos e destes com a natureza. Portanto, a paz é indissociável de outras construções individuais e sociais nos planos local e global. Trata-se de um caminho urgente e necessário difundir valores e encontrar soluções não violentas para os conflitos e também potencializar todas as possibilidades do diálogo.

A Cultura de Paz, além de relacionar-se com a prevenção e resolução não-violenta dos conflitos, busca a solidariedade e o ato de compartilhar valores para uma nova ética baseada na diversidade, no pluralismo, no respeito aos direitos humanos individuais e coletivos, na liberdade e na responsabilidade humana, com o outro, com a natureza, com as fontes espirituais que reorientam sentidos e contribuem para o desenvolvimento interior. Como observa a máxima da cultura de paz: “Não há caminho para a paz, a paz é o caminho”.

Torna-se, portanto, cada vez mais urgente criar uma Cultura de Paz com visão integral dos grandes problemas contemporâneos e valores que se materializem em ações e conexões com a teia da vida. Contamos com a participação de tod@s para serem protagonistas e difundirem estes valores de Cultura de Paz, pelo Reencantamento do mundo!

Cordialmente,

PONTÃO DE CONVIVÊNCIA E CULTURA DE PAZ – INSTITUTO POLIS

Um ano de vida do Pontão de Convivência e Cultura de Paz: salvemos o sonho!

 

Os gregos, antigos sonhadores de mundos, diziam que a poesia era a causa de qualquer coisa que passava do não-ser ao ser e não apenas o trabalho do poeta. Neste sentido, o Pontão tem a sua poética também. Quando começamos, há um ano, já havia a presença cultural do Instituto Pólis na reflexão e no debate público, na criação de redes culturais, enfim, no fortalecimento da cidadania cultural das localidades. A Cultura de Paz acontece como um desdobramento necessário e natural do seu trabalho, como aquele ingrediente vital para desencadear um processo ou abrir um novo ciclo. Não há dúvida de que a cultura brasileira, mesmo com o acolhimento já cantado em verso e prosa, é marcada fortemente pela violência no cotidiano, das estruturas de poder, violência simbólica e do imaginário.  A Cultura de Paz veio para mostrar outras formas de resolução do conflito, novas atitudes, filosofias de vida e paradigmas de mudança.Dessa forma, o Pontão de Convivência e Cultura de Paz chegou para contribuir no fortalecimento de uma cultura de paz nos Pontos de Cultura, reforçando iniciativas e atitudes de paz, propondo e sistematizando tecnologias socioculturais de convivência, já presentes nas práticas dos pontos de cultura, que já praticam a cultura de paz. 

O Pontão chegou para estabelecer pontes entre redes, destas com os fóruns locais, destes com instituições governamentais – afirmando valores, princípios, formas de resolução pacífica de conflitos. Chegou também para potencializar pontos e construir políticas públicas de forma compartilhada.

Nesse primeiro ano começamos a desenvolver trabalhos em várias frentes: partimos para os Pontos de Cultura para ouvir os jovens, em 20 lugares diferentes nas várias regiões do país. Ouvimos para fortalecer práticas nos vários territórios, auscultamos culturas e poéticas locais, abrimos os braços para a subjetividade de pessoas, para discursos da tradição e das modernas manifestações culturais; auscultamos os desafios de ser jovem, a dificuldade no conviver e no fazer; andamos juntos por trilhas, ouvimos histórias dos griôs, nos comunicamos com os surdos, partilhamos a ingenuidade de crianças em alguns pontos, ouvimos os indígenas com atenção, compartilhamos da magia quilombola, voamos com os passos dos capoeiristas, nos emocionamos com a poesia urbana de jovens do hip hop. Ao todo mais de 500 pessoas, reunidas em rodas de dezenas de participantes conversaram de paz, escolheram objetos-símbolos dos seus pontos, fizeram mapas da convivência, identificaram atitudes de paz, sugeriram políticas públicas e novas formas de relação dos órgãos públicos com a cultura do lugar, a partir do empoderamento criativo. Ficamos maravilhados com a adesão aos encontros, a disposição para a conversa, a aceitação de nossos educadores, o reconhecimento de nosso trabalho. Uma inesquecível experiência de ouvir, muitas vezes o silêncio, outras a palavra agressiva, o rumor poético do lugar, a vida que se multiplica nas redes.

Participamos da Teia 2009, contribuímos para o debate, e a mobilização do GT de cultura de paz; participamos de ações e articulações da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura e da Comissão Paulista dos Pontos de Cultura, facilitando diálogos, produzindo ideias, estimulando debates com os Pontos de Cultura, como foi o caso das mudanças da Lei Rouanet, necessária para a convivência da vitalidade cultural do Brasil com as novas oportunidades de financiamento público.

Realizamos também ao longo destes 12 meses, várias sessões de diálogo na sede do Pontão e em outros Pontos de Cultura, envolvendo ponteiros e também a localidade, em reflexões sobre inclusão dos jovens, testemunhos de enfrentamento da situação de uso de drogas com ações de cidadania cultural, cultura de paz, educação e políticas públicas.

Realizamos nos pontos uma pesquisa sobre convivência e cultura de paz identificando uma vitalidade de paz impressionante, já presente nos Pontos de Cultura, expressa em atitudes, valores e práticas. No futuro, podemos dizer certamente em relação aos pontos que “aqui se faz cultura de paz”.

O Pontão de Cultura transformou a paisagem cultural do Pólis, ao acolher jovens dos Pontos de Cultura, da Comissão Paulista, do próprio Ministério da Cultura, para debates, busca de informações, articulações e parcerias.

A partir do Pontão enviamos publicações culturais do Pólis e de nossas redes internacionais para mais de 20 Pontos que visitamos e outros que solicitaram. Criamos um site para apresentar o resultado das auscultas nos pontos e debates apresentados pelo Pontão, além de mostrar toda a nossa programação cultural. Através do site do Pólis multiplicamos a nossa visibilidade no país e em redes internacionais das quais o Instituto participa.

Foi uma apropriação lenta da gestão compartilhada, com desafios enormes, próprios dos limites gestionários do próprio edital, o rigor jurídico que muitas vezes engessa ações, frutos das leis do país ainda não preparadas para o tempo cultural, que é rápido, exigente, criativo.

Sentimos que falta ainda mais diálogo, a desburocratização de procedimentos de gestão governamental, agilidade da máquina pública, enfim a operação da política pública compartilhada. A própria entidade estranhou a presença ágil e criativa do Pontão, sem entender num primeiro momento os seus alcances e dinâmicas.

A qualidade cultural, política, poética e existencial deste trabalho deve-se a participação e envolvimento dos seus técnicos, ativistas e colaboradores voluntários, como foi o caso do Grupo Consultivo do Pontão que deu muitas ideias, opiniões, sugeriu caminhos de trabalho. Avançamos na criação de uma artemetodologia das Auscultas socioculturais – ouvir os rumores internos com arte, participação, construção de símbolos grupais, expressão dos sonhos presentes e visões de futuro, com valores e afirmação da cultura do ser e sugestão de novos caminhos- que continuaremos a desenvolver nos próximos anos. Participamos ativamente da articulação de pontos para que os Pontos de Cultura se constituam como política pública permanente, de Estado. Realizamos aproximações de redes que não se conheciam como entre aquelas mais voltadas para valores, as redes de paz, e as que envolvem jovens em seu protagonismo local, que mal se conheciam e que muitas vezes se desconheciam.

Certamente não estivemos sós nesse primeiro ano e devemos agradecer a muita gente: aos colegas do Instituto Pólis e a toda a equipe de cultura, à Célio Turino e à equipe da Secretaria de Cidadania Cultural, à Cecilia Garçoni e à representação regional do Minc em São Paulo, às CPPC e CNPC, ao Ipso, a Associação Palas Athena, a Rede Mundial de Artistas, a Guilherme Almeida, a Marisa Greeb, À Casa de Franciscos, a todos os colaboradores voluntários, particularmente ao Grupo Consultivo e a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, ajudaram no trabalho desse primeiro ano.

A todos a nossa energia de paz e reencantamento. Como Modigliani afirmava sobre o artista, acreditamos que o nosso real papel é salvar o sonho. Por isso acreditamos que a cultura de paz e convivência deverá ser a poética desses novos tempos de transição para um mundo mais justo e feliz.

Equipe do Pontão de Convivência e Cultura de Paz

PS: O um ano de vida do Pontão foi comemorado com uma animada festa junina que reuniu equipe, colaboradores, amigos, enfim, gente de paz. O arraiá celebrou as boas sementes plantadas neste primeiro período de trabalho.

Confira abaixo algumas imagens desta grande festa.

Uma sensível avaliação das Rodas de Convivência e Cultura de Paz

Ao concluirmos o processo das 20 Rodas de Convivência (auscultas socioculturais), em 22 de abril de 2009, ainda em Belo Horizonte (MG), por um instante, em meio à beleza natural de um parque centenário, situado no centro da metrópole, foi possível refletir à sombra de uma árvore. Tudo ali era presença, quietude e possibilidades: pessoas, animais, vegetação, flores e equipamentos de lazer e cultura. Conjunto vivo e mutável, convite a integração dos sentidos e da percepção cognitiva. Assim foi o processo das auscultas: único, um ensaio e um cantar de uma nova canção, um canto diferente que ressoa.

Convergência de novas mídias, de tecnologia social e cultural na convivência, para construção de outros paradigmas potenciais para a cultura de paz. Acesso, aprendizado coletivo, pesquisa legítima, apropriação de novas linguagens, divulgação e multiplicação são fatores necessários para ampliar redes sociais e de comunicação criativa. Todos esses fatores foram amplamente relacionados aos conteúdos surgidos nas Rodas de Convivência, o que proporcionou uma reflexão apurada para a aproximação das políticas públicas que mediam ações socioculturais.

Ausculta Sociocultural – conceito e proposta

A Ausculta sociocultural é uma técnica participativa de diálogo mais profunda que a escuta intercultural, onde temos atores diversos que se escutam. O resultado é uma nova síntese e um saber comum sobre convivência e cultura de paz. De agosto de 2008 a abril de 2009, o desenvolvimento das auscultas realizadas pelo Pontão buscou promover a confiança entre os atores para possibilitar a construção de laços permanentes; o rompimento da distância entre pesquisador-pesquisado; o cultivo da cultura da construção comum; a confiança presente desde a convocação para a roda, a clareza dos objetivos, do processo, da devolução sociocultural; o ambiente de informalidade e espontaneidade estabelecendo um movimento lúdico, criativo, poético e artístico, desde o início das ações. A diversidade e o entendimento de que um grupo é composto de várias singularidades e diferenças e o reconhecimento da contribuição individual de cada um foi essencial no processo. A centralidade do local de origem foi a premissa do trabalho, porque possibilitou um estar mais à vontade a partir de um pertencimento ao território e comunidade, o que tornou possível ao participante dizer e sentir o que percebe e intui.

Critérios para a escolha
Segundo o Ministério da Cultura, existem cerca de 820 Pontos de Cultura no Brasil atualmente. Para a escolha de 20 deles, foram estabelecidos alguns critérios. A distribuição geográfica em diferentes regiões do país, a diversidade cultural e o público jovem foram os que prevaleceram. No que diz respeito a diversidade, buscou-se atingir comunidades indígenas, afrobrasileiras, movimento hip hop, novas tecnologias, culturas populares, estudantes, entre outros. Também foram considerados os Pontos que trabalham em rede, pois assim a ação é divulgada e ampliada, como no caso dos Pontos da rede da prefeitura de Diadema e Guarulhos.

Alguns já eram conhecidos por membros da equipe, outros indicados pelo MINC e parceiros. Em alguns casos, os próprios Pontos de Cultura solicitaram ser auscultados. Todos os escolhidos são considerados potenciais multiplicadores das ações de cultura de paz e convivência.

O Pontão buscou articular pontos no território e potencializar sua experiência. Articulamos cerca de 500 jovens em nossas atividades em 10 estados. Por volta de 150 pontos estiveram presentes em nossas ações (nos estados, na Teia, na Bienal de Cultura, no Fórum Social Mundial) e cerca de três mil pessoas participaram de nossos eventos no país. Se considerarmos o raio de ação através de nossos materiais e site, teremos um número ainda maior de atingidos.

Abrangência
Certamente os números não explicam tudo. O mais importante é a relação com os paradigmas em construção. Levamos a estes pontos uma nova cultura que diz respeito aos grandes desafios contemporâneos que estão relacionados ao ato do conviver e da construção de uma cultura de não violência que aponta para a superação da violência direta, estrutural e cultural.

Pela primeira vez, nos pontos de cultura os jovens estiveram em contato com essas possibilidades de mudanças culturais. Através das Rodas de Convivência e Cultura de Paz lançamos o desafio de fortalecer a autoestima dessa juventude, sua capacidade criativa, sua autonomia, protagonismo e alternativas de convivência e resolução dos conflitos, além de povoar seu imaginário de poéticas intensas a partir da localidade. Ao mesmo tempo, operamos aproximações entre pontos de cultura por meio de encontros, diálogos e notícias no site. Através da Teia, do Fórum Social Mundial e de nossa presença na Comissão Nacional dos Pontos de Cultura e da Comissão Paulista de Pontos de Cultura, reverberamos nossa ação em rede, propondo atividades e políticas relacionadas com a convivência e cultura de paz.

A partir da reflexão de como as auscultas podem enriquecer e fortalecer a sociedade civil e subsidiar as políticas públicas culturais, concluímos que a artemetodologia das rodas de convivência contribui para legitimar o lugar central da cultura de paz em qualquer organização, entidade, movimento ou espaço. Fortalece, portanto, os diversos contextos para transformação da visão de cultura de guerra e paz na sociedade; facilita a mobilização de jovens e adultos para a importância do tema convivência e cultura de paz, presença na diversidade; bem como favorece o contato, a aproximação e o mapeamento de diversas expressões culturais alcançadas pelo Programa Cultura Viva através dos Pontos de Cultura (nas rodas de convivência e por meio da pesquisa quali-quantitativa; novas relações estado-sociedade; contribuição para as políticas públicas e construção de um paradigma de país; devolutiva para cada Ponto de Cultura através de relato e material de registro audiovisual, disponibilização de dados das rodas por meio de peças de comunicação e site do Pontão).

Desta forma, os resultados principais foram: adesão aos temas por parte dos pontos de cultura auscultados; a criação da cultura de uma Cultura de Paz como referência nos pontos de cultura; o fortalecimento das Atitudes de Paz; os Diálogos Interculturais; propostas de ações de Cultura de Paz; a formulação e as indicações para as políticas públicas de Cultura de Paz (discutidas e legitimadas a partir da sistematização e análise dos dados das auscultas socioculturais locais); pesquisa quali/quanti em 824 pontos de cultura e dos diálogos interculturais como base para construção de diretrizes e políticas.

Escolhemos o caminho de criar artemetodologias de cultura de convivência e paz para o início do trabalho para ouvir os jovens, auscultá-los com rigor, com sintonia fina, perceber os seus ruídos interiores para melhor compreendê-los. Percebemos que as políticas públicas são elaboradas sem auscultas, sem saber desses ruídos. Criamos uma ambientação poética para acolhê-los a partir da sua realidade cultural, por meio de um cenário em roda, com uma pedagogia da circularidade, em uma construção participativa, afetiva e emotiva, que possibilitasse o nascimento de uma relação de confiança e transparência. Abrimos possibilidades de criação simbólica (símbolo comum), um ambiente de desarmamento das mentes e de convergência de afetos; criamos um mapa da convivência e ouvimos os jovens sobre propostas de políticas públicas.

Por que artemetodologia das auscultas? Porque a arte trabalha subjetividades, sentimentos íntimos, grandezas existenciais, a vida como obra de arte e também como linguagem expressiva. E isso cria uma forte identidade com a vida dos jovens, seu imaginário criativo e seu anseio de pertencimento a linguagens e coletividades. A idéia é que esta artemetodologia esteja captando com suas antenas a realidade de outros atores e protagonistas, não apenas nos pontos de cultura.

As auscultas contribuíram efetivamente para revelar aspectos e práticas dos pontos de cultura e seus integrantes que compreendem: a promoção de diálogo intercultural; o empreendedorismo social e protagonismo juvenil crítico-criativo; interlocução entre diferentes gerações; a diversidade cultural e de identidades; a valorização do patrimônio cultural material e imaterial – registro e valorização da memória, tradição e história local; valorização das expressões e ambiente locais; incentivo às novas gerações pela transmissão de conhecimentos, práticas e formas de expressão tradicionais; promoção da produção coletiva e do trabalho cooperativo; acesso aos meios de fruição, empoderamento, produção e formação cultural; geração de formas alternativas de sustentabilidade no território.

Por outro lado, concluímos com as Auscultas Socioculturais, que os Pontos de Cultura já trabalham na perspectiva da cultura de paz: eles são verdadeiros pontos de paz, que desenvolvem atitudes de não violência e que ainda não tinham revelado a ligação com essa temática.

Finalizada a primeira etapa do projeto percebemos que ainda temos um horizonte pela frente de construção e conquistas. Nosso trabalho demonstrou a força de transformação que a cultura de paz pode assumir frente ao Programa Cultura Viva e pontos de cultura. Fica a questão: Qual é o ponto de paz e a paz no seu ponto?

As Rodas de Convivência e Cultura de Paz foram um caminho apropriado para esse primeiro ano de trabalho do Pontão de Convivência e Cultura de Paz. Ouvir, permitiu compreender a realidade em que nos situamos, nos aproximar dos Pontos de Cultura, das dinâmicas jovens, do pertencimento local e perceber as potências que estão sendo criadas pelo pontos numa atividade de fortalecer a diversidade cultural do país e “desesconder o Brasil”, como afirma Célio Turino – secretário da Cidadania Cultural (MinC), mostrando um país invisível e oculto, porém forte e vital.

* Este texto é uma produção coletiva da equipe do Pontão Temático de Convivência e Cultura de Paz

Protagonismo e empoderamento juvenil: a luta pela participação democrática

Por Gerson Brandão*

Já faz algum tempo que a discussão pública sobre políticas de juventude envolve a capacidade de governos de incorporar a opinião dos jovens e envolvê-los na proposição, elaboração e avaliação das ações propostas. A participação juvenil e a criação de espaços para sua ação direta se constituem em demandas recorrentes, tanto em fóruns da sociedade civil, como em espaços oficiais constituídos. Na cidade de São Paulo isso não é diferente. Porém, a concretização dessas perspectivas é visivelmente limitada.

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Cultura e Modos de Vida – São Paulo, a utopia da Gaia Urbana

A cidade de São Paulo vive a beira do caos: trânsito, violência, poluição, desigualdade social inundam cada vez mais as ruas da grande metrópole. A ausência de uma vida coletiva aprofunda ainda mais o problema. Mas sempre é possível mudar. No artigo Cultura e Modos de Vida – São Paulo, a utopia da Gaia Urbana, Hamilton Faria reflete sobre as mudanças individuais que podem repercutir em transformações coletivas, tornando possível o bem-viver na maior cidade da América do Sul.

” É preciso sair com uma vela no escuro, buscando aquelas experiências, atores, valores e imaginários que possam propor algo novo que acredite, não apenas na sua necessária viabilidade política e social, mas também no reencantamento da cidade, numa vida maior que a sobrevivência, significativa para os seus habitantes. Faz bem inspirar-se em Heráclito quando afirma que a morada do homem é o extraordinário”, fala Hamilton no texto.

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Hospitalidade e Cultura de Paz

Iara Maria da Silva Moya (1)

A reflexão apresentada na Sessão de Diálogo teve como objetivo buscar as associações entre hospitalidade e cultura da paz. A hospitalidade, assunto antigo, mostra-se tema presente e atual. Afinal, a trabalho ou a passeio, nunca se viajou tanto neste mundo. A esse deslocamento todo somam-se as estimativas da ONU informando que, nos próximos anos, mais de um bilhão de pessoas vão deixar suas moradias, seja devido a catástrofes naturais, derivadas das mudanças climáticas, seja para fugir de guerras e perseguições religiosas. Impõe-se, desse modo, a exigência do aprendizado do viver junto, tarefa fundante da hospitalidade, que passa a configurar um novo campo de saber.

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